O currículo que ninguém escreve
Nem tudo o que se aprende num contexto educativo está escrito nos documentos orientadores. Há aprendizagens que acontecem todos os dias, em silêncio, nos gestos, nas rotinas, nas relações. Um currículo que não aparece nos planos, mas que molda profundamente a forma como cada criança se vê, se sente e se posiciona no mundo. É o currículo que se aprende sem estar no plano. Aprende-se quando uma criança percebe quem é escutado primeiro no grande grupo.
Quando a escola fala e a família não responde.
No terreno da prática educativa, há fenómenos que muitas vezes interpretamos com demasiada rapidez. Famílias que não respondem, que não participam, que permanecem em silêncio perante os convites e mensagens da escola — e, num instante, essa ausência é lida como “desinteresse”, “falta de cuidado” ou “não envolvimento”.
Comunicação com famílias: quando a boa intenção não chega.
No início de cada ano, muitos contextos educativos renovam compromissos, ajustam planos e reforçam intenções positivas. Entre elas, surge frequentemente a ideia de “melhorar a comunicação com as famílias”. Apesar disso, a comunicação continua a ser um dos pontos onde mais tensões, mal-entendidos e frustrações se acumulam. A razão é simples: boa intenção não é o mesmo que competência comunicacional.
A educação precisa de Amor — e isso não é romantização
Falar de Amor na educação continua a causar desconforto. Para muitos, a palavra soa vaga, ingénua ou pouco profissional. No discurso educativo dominante, o Amor é frequentemente empurrado para o campo do “emocional”, do “pessoal” ou do “privado”, como se não tivesse lugar nas decisões pedagógicas, nas políticas educativas ou na organização das escolas.
Quando o tempo se encontra: um diálogo entre gerações na educação
Há momentos em que a facilitação nos oferece imagens que ficam gravadas — não apenas na memória, mas no coração coletivo que se cria num grupo.
Durante o workshop “Estratégias de Autocuidado para Educadoras”, vivi um desses momentos que revelam o verdadeiro poder do encontro humano.
Relembrar o que é Ser e Estar na Educação
Há formações que são mais do que momentos de aprendizagem — são reencontros com a alma da educação e com o que nos faz estar inteiros no ato de educar. Há momentos em que a vida, silenciosamente, nos convida a parar. A respirar. A olhar para o que fazemos — e, sobretudo, para o modo como o fazemos.
Escutar educadores, repensar a educação
Mas não só o pessoal não docente precisa de refletir. Também nós, enquanto docentes, precisamos de olhar de frente para os nossos próprios vieses. Eles existem — conscientes ou não — e transparecem nas nossas práticas, nas nossas expressões, nos gestos e até nos silêncios. Rever esses padrões exige coragem e disponibilidade para aprender e desaprender.
IA na Educação: Continuamos Humanos?
Este novo ano letivo arrancou, uma vez mais, com a já conhecida escassez de docentes. Um problema estrutural, que se agrava ano após ano, e que deixa muitas escolas com dificuldades em garantir uma resposta educativa plena. Paralelamente, cresce o entusiasmo — e a inquietação — em torno da Inteligência Artificial (IA) aplicada à educação.
Regressar com Intenção
Setembro chegou. O ano letivo ainda não começou, mas o ritmo já mudou. Para quem educa, setembro é mais do que um mês no calendário — é um portal. Um tempo de transição entre o que foi e o que está por vir.
Raízes nutridas, frutos abundantes
A educação de infância não se resume a “cuidar de crianças”. É ali que se lançam as primeiras sementes de humanidade. É nesse espaço que a criança aprende a estar com os outros, a reconhecer emoções, a comunicar, a organizar-se e a dar os primeiros passos na sua própria liderança.
Respirar no presente não é luxo
Respirar no presente não é luxo. É necessidade. É o que mantém viva a chama que nos move. Sem esse espaço para recuperar energia, o futuro que queremos construir corre o risco de nascer sobre alicerces frágeis.
Nem Todo o Cansaço Dá Lugar ao Descanso
O ano letivo terminou. Os corredores silenciaram-se, as mochilas foram arrumadas e as crianças e jovens seguem, agora, para as suas férias de verão. Mas este momento — que para muitos simboliza um tempo de pausa — não significa, para todos os agentes educativos, o início de um descanso imediato.
Educar em Tempos de Sobrecarga
A minha experiência mostra-me, todos os dias, que o bem-estar de quem educa está diretamente ligado à qualidade das relações que se constroem em qualquer contexto de aprendizagem — da creche à universidade, da formação contínua ao ensino informal.
Narrativas que Ferem, Escolhas que Curam
Vivemos tempos em que os discursos de medo voltam a ganhar palco. A figura do imigrante — muitas vezes negra, árabe, cigana ou simplesmente “diferente” — volta a ser instrumentalizada como ameaça, como “invasão”, como bode expiatório para problemas que são, na verdade, estruturais.
Esta narrativa não é nova. Mas o que talvez ainda nos custe reconhecer é o quanto ela entra nas escolas, nas creches, nos nossos gestos enquanto educadores e educadoras.
Protopia na Educação: Pequenos Passos com Amor e Consciência
A escola não muda num estalar de dedos. Nem a sociedade. Nem nós, enquanto educadores. Às vezes parece que, perante tantos desafios, deveríamos ser capazes de construir um futuro perfeito, onde todas as crianças aprendem felizes, todos os professores se sentem realizados e cada família confia profundamente na escola. Mas a perfeição paralisa.
Cuidar de quem educa: práticas possíveis no meio do impossível
Há dias em que a rotina nos engole antes mesmo de colocarmos os pés no chão. A escola, as crianças, os alunos, as reuniões, as exigências.
E depois, ainda, os outros papéis todos: mãe, filha, cuidadora, coordenadora, mediadora de conflitos — de fora e de dentro. Fala-se muito sobre o bem-estar de quem educa, mas pouco sobre o que isso significa quando tudo parece impossível.
Quando o propósito se torna cuidado e presença na prática educativa.
Entre burocracias, metas impostas e ritmos acelerados, educar com intenção é mais do que um gesto: é um acto de resistência. Um acto profundamente humano.
O Educador cansado não ensina o que Sabe — Ensina o que está a Sentir.
Há uma verdade silenciosa que paira sobre muitas salas de aula, jardins de infância e reuniões pedagógicas: muitos educadores estão exaustos. Cansados não apenas fisicamente, mas emocional e mentalmente. E esse cansaço tem consequências — não só para quem o carrega, mas também para quem aprende.
Do Controlo à Cocriação
E se liderar uma escola fosse mais como cuidar de um jardim do que gerir uma fábrica? Durante décadas, as instituições educativas seguiram modelos de liderança baseados em estruturas rígidas, inspiradas em lógicas industriais centradas na eficiência e no controlo. Ainda hoje, muitas escolas e jardins de infância operam sob esta lógica. Mas estamos perante uma mudança de época. Num mundo que exige criatividade, empatia e autonomia, torna-se urgente repensar a forma como conduzimos os processos educativos. E é aí que entra a cocriação.
Amor e Consciência na Diversidade Cultural: O que a Escola Precisa Acolher
Numa sociedade cada vez mais plural, a diversidade cultural nas escolas não é uma exceção — é a realidade. No entanto, nem sempre esta diversidade é acolhida de forma consciente, afetiva e equitativa. Educar com amor e consciência é, acima de tudo, reconhecer a riqueza de cada identidade, história e contexto, e transformar a escola num espaço onde todas as culturas são valorizadas e pertencem. Neste artigo, partilho algumas reflexões e práticas que ajudam a tornar esse acolhimento possível — com o coração e com intenção pedagógica clara.

