O currículo que ninguém escreve
Nem tudo o que se aprende num contexto educativo está escrito nos documentos orientadores. Há aprendizagens que acontecem todos os dias, em silêncio, nos gestos, nas rotinas, nas relações. Um currículo que não aparece nos planos, mas que molda profundamente a forma como cada criança se vê, se sente e se posiciona no mundo. É o currículo que se aprende sem estar no plano. Aprende-se quando uma criança percebe quem é escutado primeiro no grande grupo.
Quando a escola fala e a família não responde.
No terreno da prática educativa, há fenómenos que muitas vezes interpretamos com demasiada rapidez. Famílias que não respondem, que não participam, que permanecem em silêncio perante os convites e mensagens da escola — e, num instante, essa ausência é lida como “desinteresse”, “falta de cuidado” ou “não envolvimento”.
Comunicação com famílias: quando a boa intenção não chega.
No início de cada ano, muitos contextos educativos renovam compromissos, ajustam planos e reforçam intenções positivas. Entre elas, surge frequentemente a ideia de “melhorar a comunicação com as famílias”. Apesar disso, a comunicação continua a ser um dos pontos onde mais tensões, mal-entendidos e frustrações se acumulam. A razão é simples: boa intenção não é o mesmo que competência comunicacional.

