E se a professora também for conteúdo?

E se a professora também for conteúdo?

“Nunca tive uma professora mulata.”

Foi uma das primeiras coisas que ouvi no meu regresso ao chão da sala de aula. A frase veio de uma aluna do 9.º ano, de forma espontânea, quase como quem partilha uma curiosidade ou faz uma constatação que lhe ocorreu naquele instante. Não houve qualquer solenidade no momento, mas confesso que hesitei sobre o que fazer com ela. Uma parte de mim pensou que talvez devesse aproveitar a oportunidade para falar sobre a palavra “mulata”, sobre a sua origem, a sua história e tudo o que pode carregar. Podia questionar o termo, problematizá-lo ou simplesmente explicar por que razão hoje prefiro usar a palavra negra.

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