• Georgina Angélica

Recuperar o tempo perdido ou focar naquilo que importa?

O ano lectivo em Portugal começou, e sinto que existe uma preocupação excessiva em recuperar o tempo perdido. Mas o que isso significa? Não foram as aulas durante o confinamento leccionadas online? Não estiveram os educadores numa posição nunca antes experienciada e sempre disponíveis para adequarem a sua forma de ensinar ao formato digital?


Que grande armadilha pensar-se que o tempo pode ser recuperado. Que desgaste, que loucura correr-se atrás daquilo que nunca conseguiremos alcançar. Que tipo de aconselhamento está na base de decisões como começar o ano letivo com horários muito extensos e intervalos muito reduzidos? Como estarão todos os sujeitos que habitam o espaço escola daqui a dois meses?

Antes de continuar, quero realçar que, uma das maiores preocupações deveria recair sobre os alunos que durante o confinamento, e que por várias razões não tiveram acesso aos diversos materiais, informáticos e não só, necessários para levarem a cabo o seu estudo de forma eficaz. Muitos não tiveram pais ou cuidadores com competências académicas suficientes para os auxiliarem na aquisição dos conteúdos desta ou daquela matéria, que para eles ou para elas seriam de mais difícil compreensão, e, como sabemos, neste modelo tradicional que muitas escolas seguem, se perdermos o fio à meada a determinada disciplina posteriormente tornar-se mais difícil acompanhar esta mesma disciplina. Posto isso, continuo a minha reflexão focando num ponto que também muito me importa....

Apesar de correr o risco de me estar a repetir, cá vou eu, uma vez mais, partilhar a minha perspetiva: está na hora de reformular todo o sistema educativo. O ponto de partida e de maior foco continua a ser os conteúdos ou matérias a serem ensinados, mas porquê?! Já não faz sentido. O ponto de partida deveria, deve ser “QUEM É ESTE SER HUMANO AO MEU CUIDADO? QUAIS AS SUAS PREFERÊNCIAS E INTERESSES? QUE RECURSOS UTILIZAREI PARA AJUDAR NO PROCESSO DE AQUISIÇÃO DE CONHECIMENTO? E COMO CONSEGUIREI AJUDAR O MEU ALUNO A SENTIR-SE MAIS À VONTADE PARA MOSTRAR E APRESENTAR OS SEUS TALENTOS?”

Mesmo que esteja a colaborar com uma instituição muito “apegada” ao STATUS QUO pode sempre começar com essas perguntas e encontrar estratégias inovadoras para explorar esses conteúdos tendo SEMPRE como foco/centro o aluno.

Outro ponto que me causa inquietação, são as salas de aulas. Já notaram que são iguais às salas da era industrial? Se cada aluno é diferente e possui uma individualidade única, um corpo único, uma mente única, porque razão o design da sala de aula continua a ser inflexível, pouco atraente e completamente desconectado de quem diariamente habita aquele espaço? Tanto, mas tanto para se fazer...

Quero agora abordar outro ponto muito importante, citando o Professor José Pacheco: “O PROFESSOR NÃO ENSINA AQUILO QUE DIZ, TRANSMITE AQUILO QUE É”, citação que concordo plenamente. Quanto mais autênticos, vulneráveis e disponíveis formos para os nossos alunos, mais seguros e à vontade sentir-se-ão para partilharem connosco essa constante que se chama APRENDIZAGEM. O Educador da nova era, sabe que, tal como os seus alunos, está sempre a aprender, e que é uma mais valia mostrar essa faceta - colocar-se na posição de aprendiz, mais que não seja, para modelar as estratégias que um aprendiz utiliza para aprender, ou seja, modelar como aprender.

Todos nós temos memória daquele professor que realmente se preocupava connosco que por esse motivo, e por muitos mais, conseguiu ganhar o nosso respeito e amor. Já Maya Angelou disse “ Aprendi que as pessoas esquecem aquilo que lhes disse, esquecem aquilo que fez por elas, mas elas nunca esquecem como as fez sentir”.

Na minha perspectiva, o que realmente importa é repensar como se ensina, e o que se ensina, e até, redefinir o termo ENSINAR. E, o mais importante, QUEM SE ENSINA e o que é necessário para que as necessidades identificadas sejam supridas.

Neste novo ano lectivo, ainda considera que recuperar o tempo perdido focando em conteúdos é relevante e apropriado? Ou o ponto de partida deverá ser uma pré-avaliação de como os alunos, professores e pais estão emocionalmente e mentalmente e que conteúdos são significativos aprender a partir de AGORA?

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